3.5 Tempos Diferentes ao Mesmo Tempo...
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- Fundamentos: Propõe que a moral, os códigos de conduta e os sistemas de valores diferem entre sociedades e são produtos de suas próprias histórias e experiências, não de um objetivo padrão universal.
- Antítese do Etnocentrismo : Surge como resposta ao etnocentrismo, que é a tendência a valorizar outras culturas desde a superioridade da própria. Promova a tolerância e o respeito pela diversidade cultural.
- Importância: Ajuda a evitar a imposição de uma cultura sobre outra, fomentando a compreensão empática de práticas (por exemplo, rituais, vestimentas, estruturas familiares) que podem parecer estranhas ou incorretas à primeira vista.
- Críticas: Argumenta que o relativismo radical impede a condenação de práticas desumanas (como a esclavitud ou a opressão das mulheres) se estas são aceitas no seu contexto local, e questiona a ideia de progresso moral ou a existência de direitos humanos universais.
É certo que todos nós acreditamos que a história é o estudo do passado, contudo o factor Tempo é um factor único na análise hstórica. Noutro lugar neste blogue, nós explorámos o conceito de relativismo cultural como enfoque essencial em antropologia e história. Agora nós vamos cobrir o conceito equivalente de presentismo como relativismo temporal no estudo da história.
Muito brevemente, podemos definir relativismo cultural como o enfoque que sustenta que as crenças, valores, práticas, e morais de uma pessoa ou grupo social devem ser entendidas dentro do contexto da sua própria cultura sem serem julgadas por meios dos padrões de outra, especialmente da cultura do estudioso que a estuda. Esta perspectiva reflecte a ideia de que não existem verdades absolutas ou universais, mas que a correção moral é relativa ao marco cultural.
Tempo em História
Da mesma forma, todo o tempo é smpre relativo e não existem valores perpétuos em história. Assim, temos que evitar considerações éticas e juízos de valor sobre o tópico que estudamos que não correspondam aos valores e práticas da sociedade que estudamos no tempo em que os factos históricos aconteceram. Não devemos avaliar o passado com base nos nossos padrões actuais, pois se o fizermos, estamos a distorcer a história. Este corolário em história é conhecido como presentismo.
Assim, o presentismo complementa o relativismo cultural : para cada facto histórico há sempre uma sociedade particular e uma idade particular no tempo dessa sociedade.
Tempo na História de Angola
O universo histórico a que chamamos Angola não é um todo homogéneo em que todas as suas partes estiveram sempre em sincronia. Pelo contrário, Angola evoluiu a cadências diferentes não só no tempo mas também no espaço, pois o "todo" a que chamamos Angola, só se formou assim nos últimos cem anos. Angola é assim, como a maioria das actuais nações africanas, uma sociedade compósita, uma nação em construção, e não um país "acabado".
No estudo dinâmico da História de Angola encontramos a qualquer momento nos tempos mais recentes, a coexistência de povos com modos de produção e cultura muito diferentes, variando num continuum muito amplo que vai do modo de produção neolítico para os Khoisan, passa por sociedades pré-capitalistas para a maioria das sociedades tradicionais bantas, e termina numa economia tipicamente capitalista e moderna nas regiões mais industriais e urbanas.
A unidade política e o território da então colónia portuguesa de Angola foram-se formando a ritmo diferentes, à medida que mais povos passavam a fazer parte do todo a que chamamos Angola, trazendo cada um as suas dinâmicas histórica, social, económica, política, religiosa e artística, e misturando-as com o todo que era Angola ao tempo da sua fusão.
Assim, não podemos com inteira propriedade dizer que a Idade Pré-Colonial terminou em Angola com a chegada de Diogo Cão à foz do Zaire em 1481, ou com a fundação de Luanda em 1576, ou com a batalha de Ambuíla em 1665, ou mesmo ainda com a campanha do Bailundo em 1902. O fim da Idade Pré-Colonial para povos diferentes que hoje fazem parte do todo Angola aconteceu em tempos diferentes e a ritmos diferentes, quando esses povos passaram a fazer parte do todo a que chamamos Angola. Assim, por exemplo, temos que a Idade Pré-Colonial para o povo Bacongo terminou vários séculos antes do que a mesma para os povos Nganguela ou Ambó.
Temos ainda a considerar o facto que certos povos de Angola, como o povo Bakongo, "entraram e saíram" mais de uma vez da suzerania dos Portugueses, assim "entrando e saindo" da História de Angola. De facto, o Antigo Reino do Congo manteve a sua unidade e independência até às Invasões Jagas de 1568, renasceu das suas cinzas com a ajuda dos Portugueses até 1665, ano em que foi dizimado na Batalha de Ambuíla, saíndo assim da órbita da colónia portuguesa de Angola até 1881, quando foi trazido de volta para a Colónia de Angola através da acção do Padre D. António Barroso.
Para completar este panorama, já por si um pouco confuso, devemos ainda considerar o facto que o quantum de integração dos povos nativos no todo "Angola" durante a maior parte da Idade Colonial, variava muito a qualquer momento da história, desde completa independência até completa integração na colónia, passando por estágios intermédios de trocas comerciais marginais e esporádicas, presença comercial mais regular e efectiva, vassalagem à soberania portuguesa, presença portuguesa simbólica, até completa integração nos aparelhos político, militar, administrative e económico da colónia.
Sem dúvida que estas "arritmias" não fazem da História de Angola um tópico mais simples de se compreender; contudo, o processo histórico foi muito semelhante para a maioria dos povos que formam hoje a nação angolana, passando a maioria deles por processos, padrões e marcos muito semelhantes, o que de certo modo facilita um pouco a leitura e compreensão da História de Angola.


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